domingo, maio 30, 2010

DEMONSTRAÇÃO DE AUTONOMIA, COOPERAÇÃO E INVESTIGAÇÃO

Durante a aula de terça-feira retomamos ao quadro das certezas e dúvidas e ao texto coletivo realizando as leituras, na sequência analisamos se todas as nossas dúvidas foram esclarecidas, se nossas certezas permaneceram as mesmas ou foram modificadas.

A turma percebeu que uma de suas certezas não foi modificada, mas acrescentada, pois disseram que a casa do João de Barro é construída de barro, mas além de barro usam capim e esterco. Disseram que suas dúvidas foram esclarecidas ao mesmo tempo em que descobriram nas pesquisas mais do que haviam pensado no dia em que construímos o quadro.

Os estimulei a falarem o que especificamente descobriram além. Citaram:

* O tempo que o casal leva para construir sua casa;

* Que constroem uma casa por ano, geralmente uma em cima da outra;

* Que a fêmea cuida sozinha do ninho durante a noite;

* Que a fêmea coloca de 3 a 4 ovos;

* Que esta ave é mais ativa nos dias mais quentes e claros;

* Que as abelhas fecham com cera a porta das casas abandonadas formando suas colméias...

Ficaram tão satisfeitos com as descobertas a ponto de não terem mais curiosidades sobre o João-de-Barro, mas estão curiosos para saber sobre as outras aves, pois me perguntavam:

Como são os ninhos das outras aves?

O canto dos outros pássaros são iguais ao do João de Barro?

Todas as aves comem larvas, minhocas como o João de Barro?

Também são as fêmeas que cuidam do ninho a noite?

Os ovos são do mesmo tamanho e cor?

Quanto tempo leva para chocar os ovos?

Como são as características e hábitos das outras aves?

Ouvi ao fundo um aluno dizer baixinho:

- O ninho da águia é de palha.

- A coruja prefere a noite!

Achei extremamente interessante a linha de raciocínio da turma, pois se sentiram saciados com as descobertas sobre o João de Barro, mas surgiram curiosidades sobre as outras aves para comparar com o que descobriram.

Isto comprova que o espírito investigativo deve ser estimulado e não podado.

Quando perguntei que outras dúvidas ou curiosidades surgiram para realizar novas buscas, poderiam ter simplesmente dito: - não temos mais dúvidas e curiosidades sobre o João de Barro. Mas não, disseram: - Naõ temos mais dúvidas e curiosidades sobre o João de Barro, mas as outras aves tem o mesmo canto que o João de Barro? Comem a mesma coisa que eles? Seus ninhos são feitos como, onde e de que?

Enfim, demonstraram gosto por esta forma de trabalho, de ir em busca de suas curiosidades.

Eu enquanto educadora e estagiária me sinto feliz por ter conseguido plantar uma sementinha e cultivar com tanto cuidado e dedicação e vê-la crescendo. Com certeza estes alunos, hoje estimulados e picados pelo mosquitinho da dúvida e da curiosidade seguirão por este belo caminho: buscar o conhecimento, sendo agentes no processo de ensino aprendizagem, não admitindo serem apenas passivos a espera de respostas prontas as suas dúvidas.

Afirmo isto, pois no dia seguinte alguns alunos que possuem computador com banda larga chegaram na escola com anotações de suas buscas.

Usaram de sua autonomia não esperando até o dia em que conseguiríamos agendar o laboratório de informática para encontrar algumas informações que o grupo julgou necessário possuir.

Estes alunos me entregaram as folhas com brilho nos olhos e um sorriso de satisfação dizendo:

- Oh profª, o que conseguimos, leia para a turma!

Vejo presente neste relato alguns elementos constitutivos de um PA: cooperação, autonomia e investigação.

domingo, maio 16, 2010

SATISFAÇÃO COM AS PRÁTICAS DA QUINTA SEMANA
















Fiz algumas alterações no planejamento da semana.
No dia 10/05 realizamos a dramatização das lendas nos mesmos grupos nos quais realizaram as releituras, assim como trabalhamos as palavras que escolheram das lendas, identificando às letras iniciais, as finais, a quantidade de letras, de vogais e consoantes e quantidades de sons.
No dia 11/05 trabalhamos com o texto coletivo, onde cada grupo recebeu um envelope contendo tiras com as frases, devendo ordená-las para formar o parágrafo (cada grupo recebeu um parágrafo para ordenar). Logo após um representante de cada grupo realizou a leitura de seu parágrafo para que a turma identificasse o parágrafo lido. Ex: o 1º, o último, o 2º... Concluindo com a leitura na ordem correta.
No dia 12/05 apresentei a música João de Barro de Sérgio Reis, a qual os alunos atenciosamente escutaram. Ao término da música, realizamos uma conversa para compreenderem a mensagem deixada por ela, refletindo sobre a mesma.
Ao indagá-los sobre: - É verdade que o João de Barro tranca a porta de sua morada com sua amada presa para o resto da vida quando ela o trai? Responderam que não, pois a casa está fechada quando o casal já abandonou e as abelhas fecham transformando a casa em colméias. Com isto identificaram a música como uma lenda, pois apresenta fatos reais e imaginários.
Assim demonstraram seu conhecimento construído através das pesquisas realizadas.
Afixei na parede a letra da música para que realizássemos a leitura e observação de sua estrutura, identificando a tipologia textual, verificando a quantidade de versos e estrofes, destacando as palavras que desejavam estudar. Conforme iam escolhendo, oralmente realizávamos a contagem de letras, quantas vogais e consoantes, qual a letra inicial e final, quantas vogais e consoantes. Após receberam mimeografada a letra da música para terem para si o registro realizado primeiro coletivamente. Abaixo da letra da música representaram a mesma através de desenho. No caderno registraram as dez primeiras palavras destacadas em uma tabela com o número de letras e sons.

OBS: A pedido dos alunos a aula aconteceu com a música tocando ao fundo.
Finalizamos a aula com a confecção de casas de João de Barro.
Enquanto manuseavam a argila os observava e percebi que era o primeiro contato com este material, pois comentavam entre os grupos:
- Que gelado!
-Parece barro.
- Mas é barro.
- É como massinha de modelar.
O aluno Gabriel falou:
-Professora na porta tem uma voltinha.
E perguntei a ele:
- Quantas peças é dividida a casa do João de Barro?
-Acho que três: cozinha, sala e o quarto para os bebês. Falou o menino.
- E o que você acha que tem no quarto?
- O ninho professora.
Expliquei aos alunos que na casa só há duas partes.
Retornei ao lado do Gabriel e perguntei:
- Em qual dos lados você acha que fica o ninho?
O menino respondeu:
- Aqui professora (apontando para o lado correto).
- Porque você acha que é aí?
- Porque é mais protegido do vento e da chuva.
Então, perguntei aos demais e todos deram a mesma resposta e justificativa.
Através desta conversa descontraída pude avaliar a aprendizagem de meus alunos, bem como a prática utilizada para o alcance da mesma.Muitas vezes os educadores pensam que a avaliação só pode ser realizada através de provas, registros que a meu ver não passam de burocracia, que servem apenas para avaliar o aproveitamento do educando, como se a prática não devesse ser analisada.Sem contar que a avaliação por provas muitas vezes não se obtem o real resultado, pois por ter um caráter formal os alunos apresentam-se nervosos não conseguindo expressar claramente seus conhecimentos sobre o assunto em questão.
Estou satisfeita a cada dia que passa, pois percebo que tanto a minha prática quanto o rendimento de meus alunos estão ocorrendo de forma positiva.
No dia 13/05 demos continuidade ao registro das palavras destacadas na música, pois acrescentamos as palavras restantes na tabela colocando a quantidade de letras e sons que as compõe.
Durante esta semana os alunos viram por duas vezes o casal de João de barro no telhado do pavilhão ao lado. Paravam o que estavam fazendo para observá-los da janela. Os deixava a vontade, pois faz parte do processo de aprendizagem a observação do objeto de estudo.
Conversavam entre si apontando suas hipóteses de quem era o macho e quem era a fêmea. Uns diziam: - O macho é o mais gordo! E outros: - Acho que o mais gordo é a fêmea, pois pode ser os ovinhos na barriga!
Refletindo sobre a prática desta semana pude perceber o quanto modifiquei meu fazer pedagógico, pois a alguns anos atrás não conseguiria conceber meus alunos pararem as atividades para ficarem olhando para janela e agora tenho uma outra visão. Acredito que qualquer interesse surgido pelos alunos devem ser valorizado e aproveitado no processo de aprendizagem.
Nosso projeto desde o princípio mobilizou alguns integrantes da escola, pois de início o funcionário Alex me auxiliou tirando as fotos da casinha em vários ângulos, no momento que foi até a sala para varrê-la e o mesmo conseguiu para o dia 12/05 um rádio que tocasse o CD em MP3 enquanto organizava a sala de aula.
Na sexta-feira fui chamada por uma das merendeiras para ir com a turma até o refeitório para que pudéssemos ver o casal na horta comendo alface e minhocas. Fomos em silêncio e pé por pé para não espantá-los. Ficamos uns 15 minutos enfileirados na janela apreciando a cena, tivemos a sorte de escutá-los cantando. Foi maravilhoso este contato, pois vimos na prática o que foi descoberto com as pesquisas: a forma de alimentação e sua cantoria melodiosa.
Os alunos aproveitaram para explicar que não é o João de Barro que fecha sua casa e sim as abelhas, pois uma merendeira perguntou se eles sabiam que quando traídos eles trancavam a fêmea dentro da casa.
Colaboramos para que esta aprendizagem chegasse a outras pessoas, tanto para esta merendeira que acreditava na lenda a qual conhecia e tinha como verdade, quanto para uma professora que me pediu as lendas para que pudesse ler a seus alunos que no turno da tarde ocupam a sala na qual foi construída a casinha.

domingo, maio 09, 2010

Nesta semana não foi possível a aplicação do plano semanal na íntegra, pois muitos fatos ocasionaram a adaptação do planejamento, dentre eles, a nossa reunião para planejamento, que aconteceu na terça-feira, problemas técnicos (rádio que não lia o CD) e trabalhos para as mães.
Na segunda-feira conseguimos realizar as atividades propostas. Iniciamos a aula com a distribuição de folha mimeografada contendo o texto construído coletivamente, realizando então a leitura do mesmo.
Não havia percebido que no momento de escrever o texto na matriz, acabei esquecendo de colocar uma das informações e ao realizarmos a leitura em grupo os alunos sentiram a falta e comentaram : - Professora, aqui não está escrito que a casa do João de Barro tem o formato de forno e que a porta é redonda.
Tive que me desculpar perante o grupo, explicando que no momento em que passei o texto pra matriz já estava muito tarde e que o cansaço foi o responsável pela minha falha, então sugeri que escrevessem ao final do texto, como complemento.
O fato de terem percebido a incompletude do texto demonstra a importância que deram a sua construção, não admitindo que as informações coletadas e vistas como significativas fossem descartadas, pois fazem parte de suas descobertas.
Seguimos com a escolha de algumas palavras do texto para desenvolvermos atividades da área da linguagem, mais especificamente a estrutura da palavra - construção da escrita - quantidade de letras e sons que cada palavra possui, identificação da letra inicial e final, quantidade de vogais e consoantes que compõe as palavras.
Finalizamos com o jogo da forca com a turma dividida em equipes utilizando as palavras destacadas no texto para sistematizar a atividade desenvolvida.
Esta atividade recreativa foi utilizada para observar as produções escritas individuais para detectar em que nível da escrita se encontram os alunos, já que cada componente de cada grupo teria a sua vez de ir até o quadro escolhendo uma das palavras colocando os traços que correspondem a quantidade de letras que a palavra escolhida possui.
Nos demais dias da semana tive que adequar as atividades propostas, devido aos fatos já citados acima, ficando muitas delas para a próxima semana.
Através destas práticas estou percebendo, ou melhor constatando que ao trabalharmos com texto coletivo,de forma contextualizada, explorando palavras que o compõe a aprendizagem torna-se mais significativa, tanto para os educandos quanto para nós educadores. Cheguei a esta conclusão por fazer um paralelo com a minha outra turma, na qual tenho que aplicar o programa Alfa e Beto, pois não tenho abertura para desenvolver aulas onde meus alunos possam escolher um assunto que desejam pesquisar, saciando suas curiosidades, pois as aulas vem prontas, com textos a serem trabalhados a cada unidade (textos que não fazem sentido para a turma). Neste programa nós enquanto educadores devemos seguir de forma rigorosa as unidades propostas, pois de mês a mês temos que enviar as aulas dadas para que possam ter um controle se estamos aplicando ou não. Me sinto podada e podando meus alunos, pois estamos presos a um programa que não possibilita a aprendizagem construída de acordo com o interesse e a realidade do grupo. Com este programa os alunos também se alfabetizarão, mas não da mesma forma que a turma com a qual estou estagiando, pois a alfabetização dar-se-á de maneira mais restrita: sem liberdade e prazer.

domingo, maio 02, 2010







Devido a festividade referente ao Jubileu de Prata da escola, tive que adequar o meu planejamento.
Ao iniciar a semana, soube que na 5ª e 6ª feira todas as turmas da escola deveriam prestigiar, do início ao fim, as exposições e relatos históricos da escola. Portanto, na 2ª feira realizamos nossas pesquisas sobre o João de Barro, que estava prevista para 6ª feira, bem como a observação das fotos do João de Barro e das três casas.
No primeiro momento observaram as fotos, colocando suas impressões sobre elas. Ao perguntar sobre as semelhanças e diferenças, disseram-me que apenas uma estava diferente, pois não estava completa. Então, os instiguei a refletir sobre o motivo da mesma não estar completa. Alguns alunos disseram: - Ele (o João de Barro) ainda está construindo, já outros : - A chuva pode ter destruído.
Conseguiram observar algo diferente em uma delas, que por mim passou despercebido, e perguntaram : - O que é isto professora pendurado na casinha? É uma palha ou uma pena? Não conseguimos distinguir, pois não estava muito nítido.
Mostrei em seguida um João de Barro que estava caminhando em direção a um monte de capim (grama que havia sido cortada e não retirada do chão). Aproveitei para indagá-los: - O que ele pode estar indo fazer? Responderma-me: - Procurar comida.
- Pegar capim pra colocar no ninho.
Tinham o interesse em descobrir se o passarinho era macho ou fêmea. Iam perto para ver se achavam um detalhe (órgão genital) para matar a charada. Achei bárbaro!
Após, seguimos para as pesquisas no google, com a qual perceberam que o ninho era feito de barro, capim (palha) e esterco. Aproveitei para perguntar se sabiam o que era esterco e diseram-me: -É coco de cavalo, de cachorro...
Disseram-me também: Ah professora, se a casa é feita de barro, capim e esterco, o que vimos é capim!
Enquanto lia para a turma o que achamos, eles interagiam comentando a respeito. Tanto que quando li sobre as características do animal, onde dizia que há muita semelhança entre o macho e a fêmea, pois ambos tem o corpo com plumagem de cor parda, com cor de ferrugem nas costas e principalmente na cauda. A fêmea só pode ser identificada pelo hábito de ocupar à noite, sozinha, o ninho com os ovos e filhotes, mais do que depressa, dizeram-me, quase que em coro: - Descobrimos! Na foto é uma fêmea! Pois se fica a noite toda sozinha no ninho, deve sair durante o dia!
Achei fascinante, pois prestavam atenção a cada detalhe da leitura para encontar as respostas para as dúvidas surgidas sobre os objetos observados, relacionando o texto ao que viram.
Na 3ª feira, retornamos ao áudio visual para que pudessem conhecer as lendas que escolhi para ler a eles. Primeiro perguntei se conheciam algumas lendas e como a resposta foi positiva, pedi que citassem quais. Dentre elas citaram a lenda da mula sem cabeça, do saci, do lobisomem, da Cuca, do velho do saco, do Curupira...
Segui os questionamentos: - Estes personagens existem na vida real? Disseram-me que não.
Introduzi então conceito de lenda, dizendo que são histórias criadas onde mistura-se situações reais com imaginárias, que passam de geração pra geração, podendo existir versões diferentes sobre a mesma.
Combinei que contaria três lendas sobre o João de Barro e, que ao término de cada uma, teriam que relatar o que foi modificado nelas, bem como que fatos poderiam ser reais e quais imaginários.
Não foi possível realizar a releitura das lendas, pois a turma tinha a hora do conto na biblioteca. Neste dia, sugeri que a bibliotecária fizesse o contrário: ao invés dela ser a contadora de histórias fossem eles. Ou seja, que eles contassem a ela as lendas que acabaram de conhecer. Ela topou e disse ter sido uma bela experiência.
Na 4ª feira realizamos a construção do texto coletivo sobre as pesquisas realizadas na 2ª feira. Confesso que no primeiro momento pensei que não seria possível a construção do mesmo pela "quebra" na reorganização de meu planejamento, mas me surpreendi com a capacidade de meus alunos, pois lembravam detalhadamente do que ouviram.
Este fato comprova cada vez mais que quando trabalhamos com os interesses da turma a aprendizagem realmente se efetiva, pois o assunto é significativo para o grupo. Muitas vezes trabalhamos com os alunos incessavelmente algum coteúdo - seja ele pré-estabelecido ou escolhido pelo grupo - e não atingem o resultado esperado. Se refletirmos sobre isto, encontraremos as respostas, que poderão ser inúmeras, dentre elas a forma com a qual desenvolvemos nossa prática. Se apenas "jogamos" as informações, sem haver interação e reflexão, não ocorrerá a aprendizagem. Poderá haver apenas a memorização por um curto espaço de tempo. Do contrário, se o conhecimento for construído, tendo como elementos costitutivos a cooperação, a interação, a reflexão... as informações encontradas realmente farão sentido não sendo necessário a repetição, pois esta prática leva apenas a memorização e não a aprendizagem.